
Amar.
Verbo difícil de se conjugar.
Hoje, qualquer pessoa ama. Eu, você, ele, ela e até o cachorro. Eu amo minha barra de chocolate, você ama seu trabalho, ele ama o carro, ela ama o cachorro e o cachorro a ama.
O que é mais fácil: amar uma pessoa ou uma coisa? Não sei.
Ao longo dos anos, tudo foi ficando mais prático, moderno, rápido. A máquina de neurônios do ser humano foi fabricando coisas inimagináveis e até antes consideradas impossíveis. É carro que só falta falar, casa com vida própria, robô que faz tudo, e uma infinidade de outras geringonças. E assim ficou o amor. Mais moderno. Mais prático.
Sim. É muito fácil ouvir ''te amo''. Basta uma quantidade mínima de álcool correndo no sangue e lá vai. Ou senão um scrap daquele coleguinha de classe que você não via há 10 anos, que esqueceu que você existe, e no final do recado vindo do NADA, tem as duas palavrinhas com mais quatro palavras adicionadas e em forma de pergunta: ''não esquece que te amo, tá?''. Não que eu seja a pessoa mais paciente da Terra, mas isso é a receita certa pra me tirar do sério. ''Te amo'' não é bom dia.
Cadê o amor, gente?
Digo o amor sincero e não o amor moderno. Cadê o frio na barriga? O coração batendo acelerado? O olhar 43? As mãos dadas?
Não. Não estou emocionalmente necessitado e nem necessariamente emocionado. Só quero saber aonde o amor tem andado.
Ah, e amo vocês.
