domingo, 5 de junho de 2011

Aos meus amigos, o meu muito obrigado.




“E saiba que eu só aceitei fechar negócio, e fiz questão de vender, porque é você. Se fosse por qualquer outra pessoa, não o faria”.

Desliguei o celular e comecei a chorar. Um choro bom. Um choro que me deixava extasiado, fazendo com que toda a alegria se esvaísse do meu corpo através de lágrimas.

Alívio, talvez.

Foi assim que eu vi que estava cercado pelas pessoas mais incríveis do universo. E não pude deixar de colocar os joelhos no chão, naquela noite, e agradecer a Deus, infinitamente, por ter me dado os melhores amigos do mundo.

De 1997 a 2006, eu cresci em meio a um verdadeiro campo de guerra. Meu pais se separaram e, desde então, a separação se transformou em um exército de ofensas, humilhações e xingamentos.

Para uma criança de 7 anos, não é nada saudável crescer ouvindo que seu pai não presta ou que sua mãe não tem condições de cuidar de você. Para uma criança de 7 anos, não é saudável dormir em um lugar e acordar em outro. Para uma criança de 7 anos, não é NADA saudável crescer com pais separados e que se odeiam.

Na época, eu devo ter tentado pedir por ajuda, de alguma maneira. Mas a resposta era sempre a mesma: ele é só uma criança.

Dessa maneira, eu cresci.

Em 2006, eu entrei em depressão. Até então, não sabia muito bem o quão triste era isso. Nunca gostei de atingir ou influenciar as pessoas de uma maneira negativa. Então, ia pra escola, sorria e fingia que tudo estava perfeitamente bem. Chegava em casa e ia direto para o quarto; sem falar nada, sem comer nada, sem querer nada.

Passado algum tempo, minha vó percebeu que havia algo errado e já foi logo soltando:

- Desde que veio da sua mãe, você está diferente! O que foi que ela te disse, hein? Me fala!

Eu não aguentava mais.

Uma raiva descomunal tomou conta de cada célula do meu corpo. Peguei minha vó pelo braço, irracionalmente, e a joguei no corredor, urrando:

- Sooooooooooooome!

Minha vó, assustada. Silêncio. Paz novamente.

Voltei para o meu universo particular, minha zona de conforto, em que tudo era mais bonito, melhor e mais confortável: cama. E comecei a chorar.

Depois de 9 anos de briga, meus pais se falaram pela primeira vez.

Dessa vez, sobre a minha vida e o que eu poderia fazer com ela. E entraram, finalmente, em acordo judicial.

Comecei a fazer terapia, análise, ou como quiserem denominar o tratamento para pessoas que possuem algum tipo de trauma. O terapeuta era ótimo e tudo estava indo muito bem, quando tive o diagnóstico: “Pronto, você já está ótimo. Aliás, é engraçado como catadores de lixo e trabalhadores rurais não tem depressão, né? Isso é falta do que fazer! Falta de trabalho! Vou te dar uma enxada e você vai ver como essa tristeza passa!”.

Meu pai deu fim ao tratamento.

Sim. Dessa maneira, eu cresci.

Cresci contando comigo mesmo. Eu era meu terapeuta, meu amigo, meu pai e minha mãe.

Cresci sem uma idéia muito clara sobre o que era uma família e qual era o sentido dela. Mas cresci.

Em meio a tantas dúvidas e pensamentos um pouco negativos, eu decidi que teria a minha própria família. A única diferença é que eles não teriam o mesmo sangue que eu.

E aí, eu encontrei cada um de vocês, que estão lendo isso aqui.

A vocês, o meu muito obrigado.

Obrigado pelas infinitas crises de riso, pelos puxões de orelha, pelos sábios conselhos e, principalmente, pela paciência. Obrigado pelo amor e carinho, muitas vezes representados por sms no meio da madrugada. Obrigado por me deixarem fazer parte da vida de vocês: é uma honra.

Quanto ao passado, não culpo e muito menos julgo ninguém. Acredito que, para o bem ou para o mal, as pessoas tem e terão seus motivos para agir. A diferença é que não procuro entendê-los.

Não guardo mágoas e nem rancor, pelo contrário: agradeço por terem me feito amadurecer em tão pouco tempo. A vocês, o meu muito obrigado também.

10 sambadas na cara da sociedade:

Bru* disse...

Vou sempre estar aqui..por mais que não seja isso que aparente as vezes..!

Vivi Watanabe disse...

Poutsss.. Que texto LINDOOOO!
Descreveu tudo com as palavras certas e curtas.
Me incluo aqui, e deixo todo o meu carinho, respeito, amor e amizade que tenho por você!
Encontrar você foi uma das minhas maiores conquistas. Obrigada por tudo. A maioria das pessoas têm família, mas encontrar um grande amigo como você, isso é privilégio para poucos!!! te amo!

Marcelo R. Rezende disse...

Nossa, moço, me emocionei te lendo.
Um jeito rápido de contar todo um mar de emoções.


Parabéns, visse?

Beijo.

Fabi M. disse...

Love u Bibu! Orgulho. bjos!

Tük disse...

=)
Marcelo

luisafernandes disse...

Nossa bi, que texto lindo.
Me fez chorar, lembrar da minha história é isso que eu tbm sinto falta de família.Ainda bem que Deus coloca nos nossos caminhos pessoas que nos ajudam, nunca vou esquecer todo aquele apoio que me deu qdo eu precisei, vc tem uma força incrível, te admiro mto!
Mesmo longe, lembro sempre de você e saiba que pode contar sempre cmg.
Beijo Lú

Marina Baldini disse...

Choro toda vez que leio! Te amo, cara!!! *-*

Rubi disse...

Mas que texto lindo!
Como eu sempre falo, quem tem amigos tem tudo. Aos que passarem por aqui, recomendo: leiam até o final, vale a pena!

Rodrigo Ferreira disse...

ptz muito lindo seu blog

e esse texto

abraço

Sol... disse...

impossivel n te amar demais....maravilhosoooooooo...bjusss no seu coração...