sábado, 3 de dezembro de 2011

O e-mail que nunca mandei.





Estava eu TODO CONCENTRADO procurando por e-mails super importantes quando me deparo com esse aqui, escrito em 2008.

"Seis meses desde que voltei e acho que até agora a minha ficha não caiu.

Tem sido muito difícil andar sozinho.
Tudo é sem graça, sem cor e sem gosto. Meus amigos parecem distantes, minha casa parece pequena e abafada demais.
Minha cama? Muito quente.
Não quero comer direito. Não quero beber nada.
Minha cabeça não tá aqui e meu coração, inteiro aí.

As pessoas percebem, me perguntam e eu sempre tento dar um jeitinho de me esquivar. 'O meu jeitinho', lembra?

- Baby, I honestly don’t how the fuck you always find a way.
- Where am I from, baby?

Duas horas de gargalhadas garantidas.

Mas hoje você não tá mais aqui.
Pensar em você, pensar no que aconteceu, dói.
Dói muito.
Tenho vivido como se você nunca tivesse existido. Como se toda a nossa história tivesse sido um sonho.
De vez em quando, surge uma ou outra coisinha que me faz lembrar de nós dois.

Lembro do seu jeito sem graça quando eu fazia uma piada suja, o sorriso de canto de boca, o jeito de morder os lábios ou o dedinho na boca quando você pensava, o jeito fofo de coçar a orelha, o 'gênio hulk', as piadas internas e seu sotaque ridículo.

Lembro de quando a gente ficava pra cima e pra baixo, procurando um lugar legal pra ir, e sempre terminávamos embaixo do edredom,  com o ar-condicionado no 'modo glacial', o Bob deitado no chão, chorando e querendo subir na cama, e algum filme na TV.
O filme? Mero detalhe, hahaha!

Lembro dos carinhos por baixo da mesa, do jeito carinhoso de me acordar, dos chocolates derretidos na minha mochila (que deveriam ser surpresa), da bicicleta deformada e de toda a nossa bagunça no café da manhã, comendo e dançando. E das multas e multas, por causa do som alto, no final do dia.

Lembro dos bilhetinhos na geladeira ou dentro do meu notebook, da sua maneira educada de tratar as pessoas e de ouvi-las, sempre com muita atenção, e de como isso me irritava profundamente.

- Why?
- Why not, baby? - with the biggest smile in the world.

E tudo se resolvia.

Lembro das combinações de roupa BIZARRAS que você escolhia e da calça jeans dois números acima do seu. Você ia andando, ela caindo e você puxando pra cima. E eu achava a coisa mais fofa e desengonçada do mundo.

O seu jeito engraçado de andar, de tocar nas pessoas enquanto falava, de rir, de franzir a testa, de errar a seta, o seu PÉSSIMO senso de direção, de se dar muito bem com tecnologia, de achar pechinchas, de me mostrar as 9383749823 fotos da família INTEIRA, de odiar despedidas, de comer rápido, de olhar nos olhos, do beijo-borboleta, das noites na praia...

Lembro de todas as vezes que você veio pra cá, me procurar, e me pergunto se fiz o certo em deixar tudo como está. A resposta varia de acordo com o dia.
Mas ambas, o 'sim' e o 'não', são sempre regadas a muitas lágrimas.

Acordar, meu amor, nunca foi tão dolorido.

Love, 
Ab."

5 sambadas na cara da sociedade:

Luisa disse...

Lindo, intenso e infelizmente efêmero como tudo na vida! :/

Marcelo R. Rezende disse...

E há dias que só as lembranças preenchem as horas.

Fabi M. disse...

que bom ter histórias assim pra lembrar!

Café de Fita disse...

sempre existem as cartas e os "emails" nos quais nos apoiaremos, poderemos rir, poderemos chorar ou quem sabe até se emocionar... a vida é isso ai, cartas a serem sempre lidas!

http://cafedefita.blogspot.com/

Bru* disse...

A maldição de sentir.....